‘Franquia só funciona se empresa tiver na veia conceito de rede’, diz diretor da Hope

Executivos desabafam e revelam seus arrependimentos na gestão de seus franqueados na questão da uniformidade de linguagem e identidade da marca

O modelo de franquias no Brasil vem fazendo grande sucesso e a tendência é de crescimento contínuo nos próximos anos. Lojas que operavam por meio do licenciamento, como a Le Postiche, estão pensando na migração para a franquia. No entanto, a ideia não é fácil na prática. Para o diretor de expansão da Hope, Sylvio Korytowski, “o modelo de franquias só funciona se a empresa tiver claramente em sua veia o conceito de rede, de unidade e de padrão em seu atendimento e outros processos cruciais”.

“Nossa marca entrega muito conteúdo. Temos um manual de como usar Instagram, Facebook e outras redes sociais. Fazemos isso para a marca ter uma maneira de falar uniformemente com seu consumidor. Você  tem que ter regras rígidas porque o consumidor não pode olhar uma experiência de uma marca em um só canal e ter uma outra completamente diferente em outro. Tem que saber se comunicar e conviver com outros canais”, diz Korytowski, um dos presentes no painel sobre franquias, no segundo dia do BR Week 2018.

Outros palestrantes revelaram essa preocupação e arrependimentos de não terem proporcionado da melhor forma essa sinergia entre franqueado, franqueadores e seus clientes. O sócio-diretor do grupo franqueador FlyTour disse que se arrepende de não ter planejado melhor uma estratégia conjunta com seus franqueados.

Arrependimento na gestão

“Eu me arrependo de não ter construído esse caminho junto com o franqueado. Quando a gente toca uma empresa franqueadora a gente carrega um elefante. Hoje o consumidor entra em uma loja já com o preço e as ofertas da Decolar na mão. Então esta incomodando muito. Só mais recentemente que eu trouxe o franqueado pra desenhar essa estratégia. Mas poderia ter feito isso antes”, afirma Fabio Khouri.

O executivo, que tem em seu portfólio a franquia da Vai Voando, presente em favelas e oferecendo viagens a custos baixos para a população de baixa renda, diz que a inovação, em muitos casos, não tem que ser levada pelo franqueador, mas, sim, pelo franqueado, que vive de perto o negócio e sabe onde há problemas a serem solucionados.

A empreendedora Adriana Auriemo, à frente da Nutty Bavarian e responsável por trazer a marca ao Brasil, afirma que esse mesmo ponto é delicado em sua gestão. Segundo ela, não houve uma uniformidade na linguagem de seus produtos, na apresentação da marca, quando os canais alternativos ao ponto de venda surgiram.

” Nos perdemos um pouco quando nos deparamos com os vários canais. Eu admito que não prestei muita atenção na linguagem veiculada nas redes sociais, comparada às lojas, quiosques.  Mas já estamos mudando e estaremos com um projeto muito mais uniforme”, desabafa Auriemo.

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