Conheça a estratégia de proximidade e o aconchego da ‘casa’ da Zôdio

A proposta da marca francesa, do mesmo grupo da Leroy Merlin, aposta na experiência e no empreendedorismo como diferenciais

A Zôdio pisou no Brasil e conquistou. A rede francesa do mesmo grupo da Leroy Merlin teve três anos de estudos para entender o consumidor brasileiro e fincar os pés em solo tupiniquim. O processo de aprendizado é contínuo, diz a empresa, que tem um ambiente de respeito cultural e das diferenças entre os hábitos do povo europeu e sul-americano.

O conceito da Zôdio é tão novo e desconhecido no Brasil que muitos acham que a loja é um empreendimento no segundo andar da Leroy Merlin, na Marginal Tietê. “Todo dia a gente tem que explicar nosso conceito e que somos uma operação distinta da Leroy, o que faz parte, já que o brasileiro ainda não tem muita familiaridade com esse conceito. Mas isso é uma construção”, afirma o gerente comercial, Rodolfo Ferretti.

A loja tem duas frentes muito claras de atuação: venda de artigos domésticos, em geral, e um incentivo ao empreendedorismo, Do It Yourself (DIY), ligado ao universo maker, que ganhou força com o comportamento da geração millennium. Tudo isso com um espectro ambientado no lar, onde os funcionários são os anfitriões da casa rosa (cor que permeia o logo da marca e das lojas) e os clientes são chamados de “habitantes”.

Os produtos domésticos são muito bem divididos em espaços que a Zôdio chama de “momentos de vida”. Então, encontram-se os momentos culinária, café da manhã, recepção de amigos, churrasco, organização, tricô, decoração, bem-estar e até o que eles chamam de “festança no sertão”. Todos são núcleos onde os produtos se conversam com exemplos práticos de como usá-los. No ambiente de cozinha, há dicas de como cortar uma cebola, receitas. Na organização, também há vários outros exemplos de como usar determinado utensílio.

Isso porque a ideia é ser uma loja pedagógica e intuitiva, diz Ferretti, não o produto pelo produto. As marcas não guiam a disposição dos produtos como a maioria do varejo, mas, sim, a funcionalidade. E esse conceito converge com o viés empreendedor que a marca tem em sua essência. Em todos os departamentos, a maioria dos produtos não tem rótulos e são “cleans”, justamente para as pessoas adaptarem e personalizarem seus produtos da forma como quiserem.

Junto a isso, há dicas e tutoriais das chamadas conselheiras e conselheiros da Zôdio, que são os próprios funcionários. Eles têm a oportunidade de complementar sua renda, utilizando o espaço da empresa para vender seus produtos personalizados. O incentivo de criação é algo muito maior na cultura empresarial da Zôdio. Por lá, há um espaço próprio de criação, no qual os conselheiros fazem esses produtos, criam tutoriais e também ministram mini-cursos para o público que quiser tricotar, decorar e aprender técnicas de DIY.

Essa cultura é passada aos consumidores, que podem criar seus próprios aromatizadores e objetos de decoração, tudo com o auxílio dessas conselheiras. Mas o gerente comercial da Zôdio admite que, salvo exceções de clientes assíduos, não há uma larga adesão por parte dos brasileiros em colocar a mão na massa ainda.

“Estamos entendendo ainda como essa pedagogia funciona com a cultura brasileira. Mas já vemos clientes que voltam por isso. A ideia é ampliar essa cultura”, afirma Rodolfo Ferretti. A loja é muito aberta ao público, que pode testar produtos livremente. A porta-voz da marca, Mariana Calvo, da equipe de marketing, critica o varejo tradicional por não ser tão próximo com o cliente.

“O varejo tradicional repele quem usa a loja para si, como por exemplo quem fica tomando café nas lojas. Aqui nós incentivamos isso, falamos para trazer os amigos, fazer cursos e aproveitar o que oferecemos na loja”, diz.
A experiência da loja também passa por uma questão cultural, já que os produtos são orgânicos e sustentáveis, sendo 70% de origem local, com uma cadeia de produtores locais muito próxima à marca. O plano de expansão da Zôdio, no Brasil, é de abertura de mais cinco lojas nos próximos anos.