McDonald’s quer popularizar cultura digital no Brasil com autoatendimento

A maior rede de fast food do mundo aposta no mundo inteiro, inclusive no Brasil, em sua transformação digital para sair na frente

 

Por Leonardo Pinto

O primeiro restaurante-conceito do Mcdonald’s no Brasil revela a capacidade de reinvenção da maior rede de fast-food do mundo. No Brasil, onde a cultura digital nas empresas ainda não está impregnada, a marca saiu na frente e apostou em um ponto de venda altamente tecnológico em um dos seus mais tradicionais pontos na capital paulista, na Avenida Henrique Schaumann, onde desde 1985 a rede está instalada.

Os protagonistas da inovação são os totens de autoatendimento, que passam a atrair os olhos dos consumidores e tornar a cultura digital mais palatável ao brasileiro. “Os totens causam estranheza e resistência em algumas pessoas, mas o recebimento da novidade foi um sucesso”, afirma Everton Perez Cruz, gerente da loja.

De acordo com o profissional que gerencia toda a operação na loja, hoje já 45% das vendas são feitas nos totens contra 55% nos quatro balcões que restam. Everton diz que os números são bons e estão dentro da expectativa do Mcdonald’s.

Como funciona

Os totens de autoatendimento estão postados logo na entrada da unidade de Pinheiros. Basta se dirigir a ele e tocar a tela com os dedos para escolher o lanche. Na experiência, o cliente pode personalizar da forma que quiser o lanche. O pagamento é feito ali mesmo, caso seja em cartão. Se for em dinheiro, com a mesma senha de retirada do lanche no caixa o cliente paga o pedido.

De acordo com o gerente, Everton Perez, e a assistente de marketing do McDonald’s, Stephanie Rodrigues, as pessoas têm mais liberdade e todas as opções aparecem em sua tela sem que haja aquela pressão de escolher rápido um pedido, elas selecionam mais e, portanto, gastam mais. Esse tempo de escolha mais demorado faz com que o gasto médio seja maior, em comparação ao método tradicional de atendimento.

Outras tecnologias foram investidas para atrair o público mais jovem nos dois andares. No primeiro andar, além dos totens, há alguns tablets onde é possível acessar as redes sociais e jogar games como Candy Crush e Fruit Ninja, famosos nos smartphones. Há também um outro jogo em uma tela maior disposta no meio do restaurante, assim como no segundo andar.

O mobiliário também mudou e não há mais sofisticado no Brasil. Alguns painéis de madeira acomodam almofadas que parecem flutuar de tão leve que fica no ambiente. O novo layout traz sensação de conforto, vindo com um teto de iluminação indireta, diferente do modelo tradicional.

Em breve, Everton diz que o McDonald’s terá nesta unidade a opção de pagar no toten e receber o pedido na mesa, sem ter que se dirigir ao caixa. A funcionalidade só está disponível, por enquanto, no Shopping Morumbi.

EUA

A adesão ao autoatendimento na maior economia do mundo é, em média, de mais de 60%, diz Everton. Na maior loja do McDonald’s do planeta, em Orlando, os caixas quase desapareceram, restando apenas só um. Isso mostra que a cultura por lá já é mais avançada e aberta a esse tipo de tecnologia.

O que era um teste em algumas lojas pode estar se tornando uma identidade da marca nos EUA. Em entrevista ao canal norte-americano CNBC, o CEO da rede de fast food, Steve Easterbrook, disse que o restaurante adicionará 1.000 totens de autoatendimento a cada trimestre, nos próximos dois anos.

Em 2015, o McDonald’s começou a testar essas telas com a função apelidada de “crie seu sabor” em alguns estabelecimentos da empresa nos Estados Unidos, permitindo que os usuários criem hambúrgueres personalizados com ingredientes de alta qualidade, como guacamole e cebola caramelizada.