Minha nada mole vida de dono de startup

Empreender para velhas raposas varejistas brasileiras já é complicado. Agora, imagine para startups dentro desse segmento. Elas falaram sobre o assunto no BR Week

Startups normalmente se aproveitam de lacunas em negócios tradicionais. Foi assim em mobilidade com o Uber e a hotelaria com o Airbnb. Mas e o que tem feito as startups com foco no setor varejista?

No painel “Startup para o varejo: novos caminhos para o sucesso”, no BR Week deste ano, quatro startups falaram sobre as suas experiências e desafios. O mediador do encontro foi Lucas Mendes, diretor geral da We Work Brasil, um dos espaços de coworking mais bem sucedidos em atividade no País.

Uma delas foi a Looqbox, empresa especializada na oferta de serviços de análises de dados. Rodrigo Murta, fundador da empresa, lembra que iniciou a carreira no varejo e verificou que havia uma oportunidade de negócio: oferecer tecnologias digitais para o varejo. “Eu notei que muitos varejistas possuem dashboards e outras ferramentas digitais. No entanto, o varejo tem esse dilema: tem tudo isso, mas na hora “h” não compreende todos esses dados. Não hora do básico, eles não tem isso na mão. Não sabem o quanto vendeu, entre outros dados. A Looqbox surge dessa dor”, disse Murta.

Transformação digital

E o que não falta é dor no varejo. Paulo Beck, CEO e fundador da  Grow (uma aceleradora com mais de 100 startups), afirma que a empresa passou se notabilizou por investimentos em saúde. Agora, a empreitada está no varejo. “Agora temos um projeto chamado retail plus. A proposta é investir em iniciativas para o varejo. A propósito, muito se fala que esse precisa passar por uma transformação digital. Não concordo com essa afirmação. Penso que aquele que está se transformando está atrasado, uma vez que o consumidor já é digital”, disse.

Desafio

No entanto, os painelistas entenderam a preocupação do varejista em virar a chave para o digital. Segundo ele, isso implica em uma mudança cultural profunda, que inclui em rotina bem diferente de muitos varejistas. No entanto, isso também é igualmente prejudicial para as próprias startups. Essas empresas não conseguem “invadir” o varejo diante da quantidade de burocracia existente dentro das velhas economias. Assim, resta apenas empreender de maneira quase solitária.

Essa é a opinião de João Couto, Ceo da Decision 6. “Penso que esse relacionamento poderia melhorar. São tantos testes dentro das empresas que as startups quebram antes. Empresas grandes precisam ser mais céleres nos seus processos”, disse.

Outro desafio: o Custo Brasil

O sócio-diretor da empresa, João Sondermann Espíndola afirma que o Brasil possui diversos desafios, que incluem burocracias e sérios problemas de infraestrutura. Isso tem freado o investimento em startups – e todos os negócios de uma maneira geral. O Brasil não é para amador. Temos a questão fiscal, que é um caos. É difícil trabalhar com tantas regras e com esse código tributário. Além disso, a logística brasileira é operacionalmente muito difícil e verificamos isso com a recente greve dos caminhoneiros”, disse.